Nosso Excelentíssimo ministro do trabalho continua falando batatadas: aqui e aqui.
Segundo a matemática trabalhista, 2 + 2 = 5. Veja porque:
O ministro disse que a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais aumentaria a participação da folha de pagamento sobre os custos totais das empresas de 22% para 23,9%. Por isso, segundo ele, o custo da medida é de 1,99%. Não precisa fazer conta pra dizer que o raciocínio é absurdo, mas eu fiz:
Suponhamos que o custo total da empresa Lupy S/A seja de R$100. Desta forma, como a participação da folha salarial é de 22% (segundo o Ministério do Trabalho), os trabalhadores representam um custo de R$22. O restante é R$78.
Se a participação dos trabalhadores passou para 23,9%, significa que o restante passou para 76,1%. Uma regra de três simples:
76,1 está para 100, assim como 78 está para X, logo X = 102,5
Esta regra de três serve apenas para descobrirmos qual seria o total dos custos da empresa para mantermos os R$78 de outros custos, mas considerando o novo percentual de 76,1%. Assim, 78 / 102,5 = 0,761.
Ok!
Agora temos R$78 de outros custos e R$24,5 de custos com a mão-de-obra. O aumento total dos custos foi de 2,5% (de R$100 para R$102,5) e não 1,99% como alega o ministro. E o custo da folha salarial aumentou 11,4% (de R$22 para R$24,5)!
Não precisamos dizer que isso certamente provocará inflação lá na ponta: quando o trabalhador for fazer as suas compras no início do mês que vem.
E por que será, Sr. Lupi, que os empresários “abusam” tanto das horas extras? Bem, se o Sr. tivesse observado um pouco a realidade, veria que tudo na vida física é volátil. A cada mês o mercado necessita uma quantidade de produtos e serviços diferente. E eventualmente há baixas ou altas inesperadas nesta demanda. Por isso coloca-se os trabalhadores para fazer hora-extra ou ficar em casa, eventualmente, compensando o banco de horas.
Empresário não é burro de pagar 50% a mais na hora trabalhada sabendo que pode contratar um novo empregado. E por que não contratam um novo empregado então, se são tão espertos? Por que a complicação trabalhista para contratar e demitir um funcionário é tão grande que não vale a pena. É muito mais vantajoso colocar o quadro atual pra trabalhar mais. O Sr. pode aumentar o excedente da hora extra de 50% para 75%, para 200%, o que quiser.
Ainda assim os empresários preferirão isso do que contratar alguém. E se o Sr. aumentar demasiadamente este percentual, o que o empresário irá decidir é não atender às volatilidades do mercado. A produção ficará mais rígida e os preços irão disparar em situações de demanda aquecida, gerando inflação para quem? Justo os trabalhadores.
Se o Brasil quer melhorar a situação da classe denominada “trabalhadora” (não sei por que cargas d’água quem trabalha com a mente não é trabalhador no Brasil), é preciso investir em educação.
Por isso eu gostaria de fazer uma proposta: demitimos o Ministro do Trabalho e todos os funcionários públicos deste ministério. Em seguida, criamos um novo Ministério da Educação. Isso, ficamos com dois, e cada um com metade do quadro de funcionários do atual. Teremos duas redes de escolas e universidades públicas, concorrendo entre si.
A rede que tiver mais alunos e melhor qualificação nos exames de verificação de aprendizagem dos alunos terá mais verbas! Pronto. O que acha, Sr. Lupi? Topa? Tenho certeza de que os filhos dos “trabalhadores” estarão numa situação bem melhor que seus pais dentro de duas décadas.