Cinco meses se passaram… e o Brasil continua bem na foto

maio 10, 2009

“Brasil capta US$ 750 milhões no exterior com o segundo menor juro da história”, é a manchete da Agência Brasil.

É interessante que, há 5 meses, postei aqui (“Investidores internacionais têm mais segurança no Brasil“) sobre previsões contrárias de um analista estrangeiro:

“Melhora do ambiente de crédito (internacional) é temporária, diz Nick Chamie”, da Agência Estado

“Para Chamie, os países emergentes enfrentarão a concorrência acirrada com títulos de dívida de países industrializados.”

Ah sim! Sei quais!.. Aqueles que estão pagando – e irão pagar durante um bom tempo – juros nominais zero ou 0,5% ao ano, não é!? São os títulos daqueles governos em déficit na casa das centenas de bilhões e que já estão atolados até o pescoço de dívidas? Tá, entendi…

“Chamie afirmou que, no momento atual, ainda é muito cedo para que os investidores voltem a alocar recursos em mercados emergentes.”

Bom, Mr. Chamie, goste você ou não, o fato é que eles estão colocando dinheiro aqui.

Quando (como assim, ‘quando’!?) os investidores decidirem retornar aos mercados emergentes, o que deve demorar algum tempo (ahn!?), o Brasil, na visão de Chamie, não figuraria como um dos países que estariam em melhor posição para absorver esses recursos. O México, por exemplo, estará mais bem posicionado.”

Mr. Chamie… Não é o que os números estão dizendo!

Vamos ver como se comportam os investidores internacionais daqui para frente, mas, por enquanto, nada indica que o Brasil esteja mal visto assim… Pelo contrário.

Nada como um dia após o outro…

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Como se o discurso marolinha tivesse autoridade…

abril 28, 2009

Disse o Presidente da República Federativa do Brasil:

“O FMI, há muitos anos, não tem autoridade para dar palpite sobre economia brasileira. Quando deu, afundou o Brasil. Fica o FMI lá, não dê palpite, e deixe que nós tomemos conta do Brasil”

Como se o discurso marolinha tivesse autoridade para palpitar… Ok, relevemos.

Mas o que não dá pra relevar é isso: “Brasil entrará para o grupo de credores do FMI com aporte de US$ 4,5 bilhões”.

Quer dizer então que o FMI é um organismo incompetente que afunda os países alheios. Quando supostamente “afundou” o Brasil, Lula não gostou. Mas afundar o país dos outros o governo federal acha legal então?

“Colômbia pede linha de crédito de US$ 10,4 bilhões ao FMI”

“FMI aprova linha de crédito de US$ 47 bilhões para México”

“Turquia pode receber crédito de até US$ 45 bi do FMI”

Sem mais comentários.

PS.: não sou contra a entrada do Brasil como credor do FMI; apenas questiono o discurso incoerente do governo sobre o organismo internacional;


Que novidade!

março 11, 2009

Pra ler notícia velha, não precisa de uma nova publicação. Basta buscar nos arquivos dos jornais. Então porque é que divulgam uma manchete assim:

Queda do PIB mostra que Brasil não ficou imune à crise, diz economista

Por favor, isso é novidade pra alguém!?

Outra coisa:

“Isso quer dizer que, na frente, teremos um cenário que pode trazer maior recuo do nosso PIB [soma de todos os bens e riquezas produzidos no país].

Eu quero acreditar que estes colchetes foram adicionados pelo jornalista, e não pelo economista entrevistado.

Se o PIB fosse a soma de todos os bens e riquezas produzidos no país, o PIB brasileiro seria muito, mas muito maior do que o divulgado pelas estatísticas. Um exemplo: um único carro produzido seria contabilizado diversas vezes nesta metodologia da Agência Brasil. Sim, pois contabilizaríamos o minério, o ferro, o aço até chegar à lataria do carro.

Da mesma forma, iríamos contar uma casa e mais o valor dos tijolos e demais materiais que compõem a casa. Tudo dobrado.

PIB não é a soma de tudo que é produzido no país. É a soma de todos os bens finais produzidos dentro do país. Nos bens finais já estão contabilizados os primários e intermediários. Não podemos contar duas vezes, não é mesmo?


Olha a ôla

fevereiro 14, 2009

“Os empresários que estavam habituados a construir 100 mil, 200 mil casas, se preparem para 1 milhão. Acho que vocês não estão preparados, como o governo não está preparado, porque ninguém nunca construiu 1 milhão de casas.”

Presidente Lula, num lapso mental, se esquecendo dos milhõeS de casas construídas artificialmente nos EUA com as intervenções estatais no mercado imobiliário e de crédito.


“Por que o spread bancário no Brasil é tão alto?”

fevereiro 3, 2009

As respostas são de Sachsida.


Como (efetivamente) combater a crise no Brasil

janeiro 26, 2009

Pedro H. Albuquerque, economista da Universidade de Minnesota, nos EUA, em entrevista à Gazeta do Povo, traz um ponto de vista muito semelhante ao que eu expus no blog do Nepom, há poucos dias. O assunto é: como efetivamente combater a crise no Brasil?

Baixando a Selic agressivamente? Aumentando gastos públicos e reduzindo impostos? A crise é idêntica para o Brasil e para os países desenvolvidos? A solução para o Brasil é a mesma que países desenvolvidos estão colocando em prática? A minha resposta é um sonoro não.

Gazeta: “Como ‘curar’ uma crise de confiança?”

Pedro H. A.: “Deixando claro que o respeito às regras do jogo é uma prioridade, sendo transparente na execução das políticas de estímulo, garantindo tratamento equânime a todos agentes econômicos, e mostrando firmeza nas ações governamentais baseadas em sólidos princípios de gestão econômica. Infelizmente, estes preceitos não estão sendo observados por motivos de estratégia política de curto prazo. Crises econômicas são frequentemente utilizadas pelos governos como uma desculpa para oferecer vantagens a grupos politicamente privilegiados, como no caso das montadoras de automóveis, seus sindicatos e alguns grandes bancos e seguradoras.”

Fonte: Gazeta do Povo (vale muito a pena a leitura completa)

Aqui no Brasil não é diferente (dá pra sentir de longe o cheiro vindo daqui).

Algumas minorias oportunistas (políticos, setores empresariais e industriais, entidades representativas de trabalhadores e outras classes…) se beneficiam – a despeito dos malefícios para o país num todo – com este discurso que temos ouvido contra a política monetária do BC, etc…

A imprensa e a população em geral não estão atentas a isso. Repetem o coro na ilusão de que ajudam o país a vencer a crise.

O Brasil precisa começar a pensar no futuro, em algo duradouro. E isso exige uma política econômica sólida, que dê segurança aos agentes econômicos, que  suavize os ciclos econômicos, contudo sem sacrificar os princípios fundamentais destas políticas, sem alterar as regras do jogo. Eu sou particularmente contra políticas discricionárias. E uma época passageira, mesmo que difícil, não é desculpa para desrespeitar regras.

Para impedir que a crise faça a galinha arrastar as asas no chão, estão querendo nos condenar a mais  gerações de vôo de galinha, ao invés de aproveitar para tomar impulso e alçar vôos mais altos; ao invés de aguentar o tranco, confiar em nosso potencial e construir algo muito melhor para o futuro.

A meu ver, estão querendo condenar nosso futuro ao passado econômico secular e medíocre deste país.


Pra ajudar a entender a situação do Brasil: notícias da nossa vizinha

janeiro 15, 2009

Clique para ler: Argentina tenta soluções para driblar falta de dólares na economia

Para analistas privados, a inflação fechou 2008 em torno de 20% na Argentina.

“De principal problema econômico argentino no início de 2008, a inflação passou a um segundo plano na Argentina. O país tenta hoje soluções para sustentar a atividade e driblar a falta de dólares na economia em 2009, motivada pela queda nas exportações e pela ausência de financiamento externo.”

“Economistas de oposição dizem, contudo, que o país enfrenta agora um risco ainda maior, o de ‘estagflação’ (inflação com recessão).”

Enquando isso, “Brasil paga prêmio menor do que empresas e países de rating maior”, como já citei em post anterior…

E ainda, “BC reitera plano de emprestar US$20 bi para empresas” (o que representa menos de 10% das reservas internacionais que temos disponíveis – sem contar os US$35 bilhões que o BC brasileiro pode trocar por reais com o BC americano a qualquer momento por linha especial de Swap).