Sazonalidade, de novo…

maio 5, 2009

Dica do Shikida: “Vendas de veículos caem em abril e no acumulado do ano“. Resolvi postar; vai que o leitor se assusta com a manchete, né…

Só tenho dados de vendas da Anfavea, via Ipeadata (não tive tempo de tabular mês a mês os dados do site da Fenabrave). Considerando os números da associação, parece que a queda no mês de abril é um movimento sazonal do setor.

Variações percentuais de abril em relação a março:
1999: -17,7%
2000: -3,3%
2001: -5,9%
2002: +4%
2003: -0,8%
2004: -12,9%
2005: -8,3%
2006: -11,5%
2007: -7,7%
2008: +11,4%

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Muito mal explicado

março 11, 2009

O IPCA acelerou na passagem de janeiro para fevereiro deste ano de 2009.

Segundo o IBGE, não passa de mera influência sazonal. Nada a se preocupar…

Ok.

Então alguém me explique: por que o índice acumulado em 12 meses – que elimina o problema da sazonalidade – acelerou?

Inflação acelerando, mesmo com o elevado nível de deterioração de curto prazo da conjuntura econômica do país, é algo com que não se deve preocupar?

Não é por nada não, mas por enquanto isso está muito mal explicado…

Se é assim, o aumento do desemprego em janeiro foi mera sazonalidade. Não temos nada com que nos preocupar, então?


Falar de sazonalidade não é previsão…

janeiro 24, 2009

Segundo a reportagem da Agência Estado (“Lupi: situação do emprego estará estabilizada até março“), o ministro do trabalho, nas palavras do jornalista, alega…

“(…) não acreditar no agravamento do desemprego após o mês de março”

Obs.: crise agora é sinônimo de sazonalidade; o desemprego vai subir no 1º trimestre só por causa da crise, e ao cair no 2º trimestre,  atribuirão à competência das políticas anti-cíclicas do governo e ao corte da Selic.

Como eu já havia demonstrado num post anterior (“Uma pessoa prevenida vale por duas (parte I)“), essa previsão é muito fácil de ser feita. Veja no gráfico abaixo como se comporta a taxa de desemprego em janeiro, fevereiro e março (em azul) a após o primeiro trimestre:

Taxa de Desemprego (%) - destaque para os meses de Janeiro, Fevereiro e Março
Taxa de Desemprego (%) – destaque para os meses de Janeiro, Fevereiro e Março

Há um forte componente sazonal, que se repete em quase todos os anos: a taxa de desemprego chega ao pico em março. É mais provável que isso aconteça novamente, do que algo diferente. A mesma coisa seria dizer: “em janeiro fará mais calor e devemos ter mais chuvas”. O que isso acrescenta de novo!? Nada.

Mas a responsável é só a crise hein!.. Talvez até pelas chuvas! Ué, sei lá… Vai saber. Nunca ouviu falar em efeito borboleta? Um corretor da bolsa de Nova Iorque balançando os braços pro alto desesperado pode provocar um temporal no sul do Brasil…


Eu já tinha avisado!

janeiro 14, 2009

No post “Uma pessoa prevenida vale por duas (parte I)” eu já havia alertado o leitor para o assunto que iria rechear as manchetes neste início de ano: o aumento do desemprego entre janeiro e março – e que iriam relacionar isso, equivocadamente, com a crise.

Eu previ que isso começaria em fevereiro, quando saíssem os dados do desemprego referentes a janeiro. Mas a Agência Brasil já se adiantou nesta reportagem:

“(…) a industria brasileira acusou “de modo muito rápido” o agravamento da crise (…)”

“Em dezembro, o emprego ainda pode apresentar um comportamento estável ou uma queda, mas o primeiro trimestre do ano não será bom para o emprego (…)”

Serei breve e só trarei novamente o gráfico do post ao qual me referi acima:

Taxa de Desemprego (%) - destaque para os meses de Janeiro, Fevereiro e Março

Taxa de Desemprego (%) - destaque para os meses de Janeiro, Fevereiro e Março

Como o leitor vê que o gráfico fala por si só, poupo maiores comentários.

E por fim, para não perderem o costume, resolveram palpitar sobre juros:

“Os juros já não eram condizentes com a nossa realidade mesmo antes do agravamento da crise.”

Claro que não. A inflação de 2008 batia no teto da meta, as expectativas do mercado para 2009 já se afastavam do centro da meta e para 2010 também subiam! Isso significa que os juros estavam baixos demais para a realidade da nossa economia antes da crise.


Uma pessoa prevenida vale por duas! (parte I)

dezembro 27, 2008

Gostaria de alertar o leitor para algo que já estão prevendo que irá acontecer e alegando estar supostamente relacionado com a crise:

O desemprego vai subir no início de 2009!!

Seu emprego está com os dias contados! Duvida!? Pode esperar, pois já estão prevendo!! Veja a reportagem da Agência Brasil que foi noticiada em vários jornais da imprensa brasileira.

Sim, de novo esta história do desemprego (e da inadimplência também)!…

“Essa expectativa (de aumento da inadimplência) pode se configurar, com maior intensidade, no primeiro trimestre de 2009, por conta da crise financeira internacional , que no Brasil tem gerado efeitos como redução do crédito e previsão de desaquecimento da atividade econômica, com aumento da taxa de desemprego.[grifo nosso]

“Outro fator observado pelo economista (Roberto Piscitelli) é que o aumento da taxa de desemprego, que deve ser observado com maior intensidade no primeiro trimestre de 2009, também é um fator que pode levar a maior inadimplência.” [grifo nosso]

E você que está na classe A ou B e, pelo título da reportagem, se considera excluído, leia o segundo parágrafo:

“Os efeitos da crise não poupam sequer outras classes.” (além da C, D e E)

Ok. Vamos por partes! (literalmente: eu dividi a análise em três!)

Antes de falar sobre inadimplência (parte II), vejamos como se comporta a taxa de desemprego desde março de 2002:

Taxa de Desemprego (%) - destaque para os meses de Janeiro, Fevereiro e Março

Taxa de Desemprego (%) - destaque para os meses de janeiro, fevereiro e março

Os meses de janeiro, fevereiro e março estão destacados em azul

Olha que padrão interessante: ela sobe todo início de ano! Sem exceção, desde o início da série de Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE! Será que eu estou tão alienado assim que não fiquei sabendo de nenhuma crise nestes anos que se passaram!?

Ei! Alguém aí pode me contar quais foram essas crises, porque até o sabe-google-tudo deve ter perdido!..

Bem… Porquê o desemprego cai todo Dezembro? Sazonalidade, de novo! (para maiores explicações, veja o primeiro post deste blog)

Ah sim, existe maior demanda pela proximidade das festas de fim de ano. Por isso as indústrias, o comércio e empresas em geral contratam profissionais temporários.

Dicionário Aurélio:

Temporário:
[Do lat. temporariu.]
Adjetivo.
1.Que dura algum tempo; transitório, temporâneo.
2.Provisório, interino, temporâneo

Se é temporário, tem que acabar uma hora!! E essa hora é quando as empresas não mais precisam destes trabalhadores: no início do ano seguinte, quando a demanda volta ao normal, há menor atividade econômica e, claro, todo mundo viaja!..

Esse post foi apenas pelo bem do ditado: “Um homem prevenido vale por dois!”

Agora o leitor já sabe o que estará estampado nos jornais em fevereiro, após a divulgação dos dados de desemprego do mês de janeiro… E saberá também que isso não tem profunda relação com a crise, como alegam.

Muito em breve publicarei os próximos posts da série…

Parte II –   desemprego  x  inadimplência

Parte III –   mais alguns comentários, positivos e negativos

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Nota: Entenda o leitor que a crise já está provocando e ainda deverá provocar demissões, sim, em alguns setores da economia brasileira. Em momento algum afirmei que a crise não colabora para o aumento do desemprego. Este post tem o objetivo apenas de esclarecer que não há razão para alarmismos e que é equivocado atribuir à crise a responsabilidade por um aumento do desemprego no início de 2009.