A reportagem do Estadão “Aos 15 anos, Real ainda não venceu a indexação” trata de um tema que tem ganhado força recentemente, através de manifestações do presidente do BCB.
A questão levantada na matéria é que a legislação que atrela o reajuste dos contratos ao IGP-M colabora para a perpetuação e disseminação de choques inflacionários em um setor para toda a economia.
É verdade. Mas isso acontece de uma forma ou de outra. Sem índice atrelado ou não. Se há um choque no preço de commodities, isso irá se refletir na economia. Um aumento nos preços do petróleo, por exemplo, encarecerá os combustíveis e, consequentemente, contaminará toda a economia, já que é um insumo básico para quase tudo, direta ou indiretamente.
Precisamos nos atentar para o fato de que não há indexação, mas um dispositivo legal limitador. A lei prevê que os contratos podem ser reajustados até o limite do IGP-M, nem um centavo a mais. Isso limita a propagação dos choques inflacionários. Não há absolutamente nada que obrigue os contratos a serem reajustados exatamente no percentual do índice inflacionário.
Ao invés de ficarmos discutindo sobre isso, poderíamos trazer à tona outros aspectos muito mais relevantes, como: “por que o Banco Central ainda não é independente no Brasil!?”
Um outro fator que combate a inflação são as inovações. No Brasil os empresários trazem uma mania da era inflacionária de ganhar dinheiro fácil especulando com estoques e flutuações monetárias de curtíssimo prazo. Só se pensa em rejustar preços para garantir a margem dos negócios. No Brasil não há um incentivo forte à inovação, à redução de custos, à eficiência na produção.
Aqui o que dita as ações é o rent-seeking, a choradeira por protecionismo contra importados, por subsídios para exportação, enfim, tudo o que perpetue ao máximo a incompetência, os custos altos, a ineficiência.
Se o Brasil se abrisse para o comércio internacional, os empresários brasileiros seriam obrigados a buscar o máximo de eficiência, as melhores tecnologias, os melhores profissionais.
Isso incentivaria a indústria nacional, aumentaria a demanda por profissionais bem capacitados, estimulando o setor educacional, entre diversos outros efeitos positivos. Por que não se discute isso na política brasileira?
Esse papo de indexação pra mim é mais uma espécie de gripe suína, que está sendo usada no Brasil pra desviar a atenção da ridícula incompetência do Ministério da Saúde em lidar com a dengue, que está fora de controle e mata muito, mas muito mais do que a Influenza A.
